terça-feira, 17 de março de 2009

Taxa de Juros

Vocês sabem a razão da taxa de juros?

 

 

Amigos, em função das últimas medidas, aprovação do PPP, aumento de impostos e taxas de juros, aqui vão alguns comentários.

 

Vocês sabem a razão da taxa de juros de 17,5% estabelecida pelo COPOM?

 

Expectativa de inflação, motivada pelo aquecimento da demanda etc?

 

Não, esqueçam tudo, a conta é simplória e tem origem ridícula, motivada por uma tentativa empírica, durante o regime militar.

 

A história é a seguinte:

 

Discutia-se à época, no auge da febre de regulamentação, militar regulamenta tudo e aprendiz de economista militar, muito mais, qual deveria ser a rentabilidade permitida e garantida para os programas oficiais, FGTS, Caderneta de Poupança, passivos atuarias das seguradoras, rentabilidade esperada das reservas matemáticas dos Fundos de Pensão etc.

 

Ninguém tinha uma solução – (trocentas reuniões e grupos de trabalho e pasmem o PT não inventou isso)

 

O país vivia o milagre, saíra de uma desordem econômica brutal, não sabia de onde vinha e muito menos para onde queria ir, qualquer coisa valia, no mundo capitalista o Brasil era exemplo, tinha derrotado bravamente a “ameaça marxista-leninista” liderada por uma esquerda “feroz” (Brizola etc) inspirada e apoiada no “poderio” Cubano (Che-Fidel). Dinheiro não faltava - Arranjaram até ouro para o bem do Brasil, coletando alianças de senhoras em catedrais, hoje da mesma forma ocupadas pelos sem terra - os “grandes” empresários financiados a fundo perdidos, (o PPP da época, SUDAM, SUDENE, SUDECO, FINOR, SIDERBRAS e depois Pró- álcool etc) podiam tudo em nome do desenvolvimento, perguntem ao Maluf (fiação Lutfala).

 

Aí chutaram 12%, ao ano, 1% ao mês (não se fazia conta de juros compostos, nas faculdades de economia, a matemática se resumia à aritmética e não tinham inventado ainda a HP-12C) alguém discordou e se negociou pela metade, 6%, e sem lógica nenhuma, tabelou-se o juro mínimo.

 

Nem mais tarde, o engenheiro-economista Mario Simonsen – que sabia fazer conta – mudou.

 

Para completar os sucessores tabelaram o juro máximo na Constituição de 1988.

 

No momento devem estar avaliando a revogação da lei da gravidade e de demanda.

 

Faz 35 anos, mais ou menos, e continua até hoje.

 

Até hoje, todos os passivos atuariais de bancos, fundos, seguradoras etc. tem suas exigibilidades calculados pelo pressuposto 6% de rentabilidade real mínima, principalmente os geridos pelo Estado.

 

Desta forma é fácil calcular:

 

Rentabilidade Mínima (a) ªª

 

6,00%

Taxa de Inflação oficial (b) ªª

 

 

7,50%

Taxa Mínima Esperada (axb) ªª

 

13,95%

Taxa Mínima Esperada Após Tributação de 20%

17,44%

 

C.Q.D. 

 

Quanto custa, esse FEBEAPA?

 

Se os ativos têm que proporcionar uma remuneração de 17,5% para garantir o mínimo de exigibilidades dos fundos financiadores das atividades econômicas, então temos:

 

Taxa Selic Atual (a)

17,50%

Inflação Projetada (b)

5,50%

Taxa de Risco (c)

3,00%

 

 

Rentabilidade esperada ao ano, sem IR (a/b*c)

14,72%

Rentabilidade necessária ao ano agregada do IR 25% (1)

19,62%

Rentabilidade necessária c/ IR mais o custo financeiro (2)

25,92%

Tempo de retorno em meses

46,3

- É verdade, um empreendimento para ser viável, no Brasil tem que ser pago em menos de 48 meses

 

- Estes valores são mínimos – para empresas de risco de crédito tipo PETROBRAS

 

 

  1. As empresas pagam 25% - em média - de Imposto de Renda e etc sobre o resultado operacional sem contar impostos indiretos. No dia 30 de dezembro foi aumentado.

 

  1. Custo financeiro calculado na base de três anos de construção para o empreendimento de forma linear, 1/3 por ano, aplicando-se a mesma taxa de juros (o capital é remunerado durante a construção na mesma taxa esperada para o investimento finalizado)

 

 

Desta forma, um empreendimento tipo hidroelétrica, ferrovia, estrada, infra-estrutura, - para ficar no âmbito do PPP – para se tornar competitivo (se não for competitivo o gestor não faz) para os investidores, em cada R$100 milhões investidos, tem que proporcionar R$25,92 milhões ao ano de resultado operacional, se isto for possível é viável, se não ...

 

Vai acontecer? Com certeza não. A não ser que um santo pajé aplique um remédio misterioso – o meu, o seu, o nosso. 

 

Tudo começa com um empirismo técnico irresponsável e se perpetua numa ignorância pretensiosa e fiscalista, tabelam-se juros na estratosfera, e tributa-se investimento, onera-se o setor produtivo, é samba do crioulo doido.

 

Ao se tributar empresas tributam-se a todos os consumidores indiscriminadamente, aumenta-se o custo dos produtos e por conseqüência a inflação, que provoca o aumento da taxa de juros, que aumenta a dívida interna e os gastos públicos etc. – inteligente né! - é o cachorro tentando morder o rabo.

 

É inacreditável:

-          Imposto sobre imposto.

-          Imposto sobre dívida. Verdade! O camarada deve, e, além do juro agregado de impostos, tem que pagar mais IOF. 

-          Imposto sobre emprego e pagamento de salário,

-          Imposto sobre investimento,

-          Imposto sobre custos,

-          Etc...

-          Ufa!

 

O Brasil é um milagre, pois com tudo isso ainda existe, graças à improvisação e o informalismo.

 

Essa linha só favorece a intermediação, a arbitragem predatória, o lobby corrupto e a pajelanças dos “Planos e Programas”. Os mesmos.

 

Nas empresas brasileiras se descarrega tudo, até financiamento de campanha eleitoral e reforma de Palácio Presidencial, como se atividade produtiva tivesse o dom do moto contínuo da geração de dinheiro.

 

Por falar nisso, que confiança tem um investidor sério, em aplicar seus recursos em projetos de geridos por uma empresa, que custeia campanhas eleitorais, partidos políticos e palácios presidenciais e num País que tem um governo que permite e aceita. 

 

Se for ignorância é grave, se não for... 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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